Sobre a Ética #1


Vamos Falar Sobre Ética!?

Nunca se falou tanto em ética como nos tempos atuais. A ética é pauta em todas as esferas; da política à economia, a busca pela ética é um princípio que rege os mais amplos setores da humanidade, principalmente nos tempos de crises de identidade cultural e econômica, como a vivida hoje em nosso país.

Empresas e empreendedores, políticos e pessoas públicas, pessoas comuns, pais de família, buscam valores éticos para se aproximar, ou de seu público consumidor, ou de seus eleitores e fãs, ou de seus amigos, familiares e filhos, para uma relação de confiança mútua, haja vista que estes “alvos” estão cada dia mais inteligentes e exigentes no que tange suas relações; e o volume grandioso e veloz das informações que estão disponíveis a todo momento, faz crescer a consciência sobre seus direitos e deveres na sociedade.

Começo hoje uma série de textos sobre ética. O tema é amplo e riquíssimo, abrange vários setores do pensamento antropológico. O que pretendo é um debate augusto e respeitoso, sobre um novo olhar sobre os relacionamentos humanos em vários setores da sociedade, e em especial, o empresarial, propondo um novo modelo de gestão baseado nas relações humanas.

Mas o que é ética?

Antes de apresentar um relato pessoal sobre o conceito de ética, é necessário saber o que NÃO é ética.

Ética não é um padrão de coisas, ações ou atitudes previamente estabelecidas, ou seja, ética não é uma tabela de valores onde você adiciona um “faça isto” e outro “não faça aquilo”. Se assim fosse, bastava dividir uma lousa, um quadro, com um risco vertical e numa coluna adicionarmos todas as ações humanas que consideramos éticas, e na outra tudo aquilo que consideramos antiético, assim teríamos um padrão de ações perfeitamente organizada… de um lado, tudo o que devo fazer para ser uma pessoa ética e do outro, tudo aquilo que devo evitar… O problema deste quadro é que ele é fruto de uma época e de seus problemas pontuais e temporais. Digamos, num exemplo raso, que você escreveu neste quadro que, ofender pessoas no whatsapp está longe das atitudes éticas; com toda certeza você só pode ter inserido esta informação após o ano de 2009, pois, antes disso tal software nem existia. Ou seja, esta “atitude ética” surgiu após um evento pontual, fruto de uma época onde a tecnologia e a busca pela velocidade e facilidade, fez com que o uso deste aplicativo de mensagens seja um dos principais veículos de comunicação, porém, a tecnologia cria softwares e hardwares aos milhares todos os dias, e o que é indispensável hoje, é obsoleto amanhã. Sendo assim, sua “tabela da ética” ficaria também obsoleta e carente de atualizações ao sabor de novas descobertas tecnológicas, históricas, científicas, etc.

Poderíamos chamar esta organização de pensamentos ou “leis” que regem nossas ações, de dogma ou moral, mas se quiser dê um outro nome que considerar mais elegante, mas saiba que isto não reflete o conceito de ética.

Religiões, por exemplo, são baseadas em dogmas, ou seja, “leis” de conduta que, ou proíbem, ou pelo menos limitam, determinadas ações de seus membros sob a pena de um castigo ou pena. Associações de bairro, condomínios e partidos políticos, para citar alguns poucos exemplos, possuem ou regimentos internos, ou “programas” que são outros exemplos de “leis”  de conduta, que determinam ações que seus membros podem ou não podem executar; Estes seus dogmas são redigidos em documentos específicos para estabelecer um certo ordenamento de conduta; desta maneira podemos considerar as leis de um Estado ou país como dogmas de uma determinada sociedade, num determinado tempo, para impor certo ordenamento aos cidadãos de um determinado campo geográfico.

Mas em que difere o dogma ou a moral, da ética?

A ética não se serve de problemas pontuais ou temporais, mas gerais. Ela é um esforço coletivo para que vivamos bem e em pleno gozo da felicidade, portanto esse esforço é atemporal e abrangente, cuidando, em primeiro lugar, das condições de elevação e felicidade do ser humano e no interesse, não apenas de um indivíduo, de uma classe ou de uma empresa, por maior que seja, mas, de toda a sociedade. Neste sentido, a ética, então é o oposto do dogma ou das “leis” morais, pois, sendo um esforço coletivo, também é constante e habitual, ou seja, não é imposta por uma convenção ou regimento, mas, ao contrário é um hábito virtuoso e natural e não uma ação imposta, pontual ou esporádica.

É importante salientar que, sendo coletivo habitual e cotidiano, é impreciso dizer, portanto, que tal sujeito seja ético, ou, da mesma maneira, que uma tal empresa seja ética. Sob esta ótica, a do esforço coletivo, seria mais preciso dizer que aquele indivíduo ou aquela empresa, participa de decisões e trabalha para ações de bem estar de seu coletivo, e não apenas de seu próprio. Mas, o problema é que no mundo há sempre aqueles que querem impor sua percepção única do bom, do justo, do valoroso, a todo o coletivo. Ora, se eu enxergo isso como bom, como valoroso, como justo, então isto só pode ser bom, valoroso e justo a todos, não apenas a mim, mas, a todos. Isto acontece, dia após dia, em várias empresas, escolas, religiões, famílias, corporações, etc. em nome de uma “ética” forçada e sem paralelo com o conceito primal que Aristóteles escreveu a seu filho Nicômaco.

É necessário, portanto, muitas vezes, entender os auspícios do coletivo, interpretar suas verdadeiras necessidades de bem estar e felicidade para, só assim, conseguir contribuir para o fortalecimento da ética.

Quer ler o segundo texto? clique aqui

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