A Construção e Expansão da Cristandade Ocidental e as Cruzadas.

A Igreja medieval cresceu sob as idéias do feudalismo, se libertando dos poderes laicos e se tornando a principal instituição reguladora da moral, da justiça e da paz no período. Grande parte desta independência, e conseqüente fortalecimento da instituição, acontecera sob o movimento de Cluny, com suas práticas monásticas com base nas prescrições de São Bento. Este movimento conquistou, sob a doação de Guilherme III, duque de Aquitânia, o direito de liberar-se tanto da autoridade laica como da autoridade e obediência episcopal local, colocando a abadia de Cluny e a ordem cluniacence sob a autoridade direta do papa Gregório V. A ordem também tornou-se um santuário autônomo ao adquirir as relíquias dos apóstolos Pedro e Paulo. Sua influência sob a aristocracia laica e pelo seu modo de vida, seus costumes e prática ascéticas, fizeram com que vários outros monastérios desejarem a incorporação a esta rede.

As Cruzadas

As Cruzadas

A influencia de Cluny sob a aristocracia laica foi concretizada, pois, em sua liturgia, esta ordem priorizava a assistência aos mortos por meio de orações, tornando os monastérios um elo entre os vivos e os mortos, ajudando estes últimos a encontrar a salvação divina e os primeiros e se confortarem com a perda e seguirem no caminho para sua própria salvação. A este apoio às almas dos entes queridos, esta aristocracia respondia com grandes doações em terras e dízimos, solidificando a riqueza da Igreja.

As reformas trazidas por Cluny inspirou vários outros movimentos e inclusive a própria Sé Romana em seu caminho para liberdade da Igreja e renovação espiritual de seus membros, como nos mostra os vários movimentos conciliares entre 989 e 1020, ou seja, nos movimentos da Paz de Deus, que dentre outros interesses, pretendiam proteger os bens eclesiásticos e os “servidores e seguidores de Deus”. Conforme nos revela Barthélemy, para conseguir estes objetivos a associação entre os clérigos e a aristocracia era fundamental, e desta associação, há a consciência de que a paz é um bem transmitido por Deus à Igreja e esta igreja é responsável de investir o rei do poder de executá-la, se necessário, a força.

Desta maneira, a guerra e a violência, tornaram-se elementos de coerção que eram apresentados aos cristãos como a lei e a vontade de Deus. A Igreja, então, sacralizava a guerra transformando-a em elemento principal para a manutenção da paz e da verdade cristã. Por ser revelada por Deus a seus filhos, esta guerra não poderia ter outro fim senão a vitória, cristalizando assim as idéias de que a peregrinação em armas e a guerra por Deus contra os não-cristãos, era não apenas justa, mas uma obrigação dos fiéis.

Neste cenário bélico-santo e diante de um quadro de expansão turca, que havia aderido ao Islã, o papa Urbano II decreta uma peregrinação em armas que libertasse os cristãos dos territórios orientais. Este apelo, feito durante o concílio de Clermont em 1095 culminou na primeira Cruzada que tinha por objetivo reconquistar a cidade Sagrada de Jerusalém.

Com as Cruzadas, ao todo oito, os cristãos dominaram todo o mediterrâneo permitindo o comercio entre oriente e ocidente, além de controlar rotas comerciais e transportes marítimos. No campo cultural, o ocidente redescobriu as obras dos gregos clássicos e iniciou um movimento de tradução destas obras para o latim.

As oito Cruzadas (Resumo)

1ª Cruzada (1096 – 1099)

Foi convocada um ano antes na França pelo papa Urbano II, e inicialmente liderada por Pedro, o eremita que, convocando pessoas comuns e despreparadas para a guerra, sem armas ou recursos, e com a única certeza de que, lutando contra os “infiéis” salvariam suas almas, rumaram ao oriente e foram facilmente massacrados pelos turcos. Pedro, o Eremita, e o que sobrou de exercito regressaram a Constantinopla, onde reorganizados, acrescentados de grandes senhores Nobres acostumados à guerra e seus experientes exércitos, sob o Comando de Godofredo de Bouillon, conseguiram sucesso conquistando a “Terra Santa” e fundando alguns Estados Cristãos no Oriente Próximo.

2ª Cruzada (1147-1149)

Em 1144 Edessa, um Estados Cristãos do Oriente próximo fundado na primeira Cruzada, foi reconquistado pelos árabes. Um ano depois o papa Eugênio III, conclama uma nova cruzada que foi amplamente divulgada e estimulada por Bernardo de Claraval (depois canonizado como São Bernardo). Responderam ao apelo de Bernardo e de Eugênio, os reis Luís VII da França e Conrado III do Sacro Império Romano-Germânico. Na busca por liberar as cidades do domínio mulçumano, conquistaram Lisboa, mas fracassaram em seu intento de liberar os Estados do Oriente sofrendo várias derrotas durante a caminhada e uma derradeira, ao tentar invadir Damasco.

3ª Cruzada (1189 – 1192)

Em 1187 o Sultão Egípcio, Saladino () reconquista a cidade sagrada de Jerusalém para o domínio islamita, motivo pelo qual o papa Gregório VIII convoca a 3ª Cruzada. Desta Cruzada participaram os reis Frederico Barbarossa (ou Barba-ruiva) do Sacro Império Romano-Germânico, que morreu afogado durante a empreitada, Filipe Augusto da França, que após desentendimentos, retirou-se da missão e Ricardo Coração de Leão da Inglaterra, que liderou os cruzados em luta contra os mulçumanos. Após algumas conquistas Ricardo assina um tratado de paz com Saladino, onde Jerusalém permaneceria sob o domínio mouro, porém os cristãos poderiam peregrinar até sua cidade sagrada em segurança.

4ª Cruzada (1202-1204)

Esta Cruzada teve como principal característica o desvirtuamento de seus objetivos principais que, passando de religiosos voltaram-se para os objetivos comerciais.

Como os cruzados, sob o domínio de Ricardo Coração de Leão, falharam em seu objetivo de conquistar a Terra Santa, o papa Inocêncio III convocou nova guerra santa com este objetivo. Mas o Marquês de Montferrat e o Conde Balduíno de Flandres, líderes desta cruzada, tinham objetivos distintos. Saquearam Zara e Constantinopla (ambas sob domínio Cristão) com fins meramente comerciais. Por estes ataques, o papa Inocêncio III excomungou os cruzados.

5ª Cruzada (1217 – 1221)

Também convocada por Inocêncio III foi liderada por André II, rei da Hungria e Leopoldo VI da Áustria. Decidiram conquistar Jerusalém iniciando a jornada pelo Egito, mas não suportando as constantes derrotas e as condições de vida do Nilo, foram derrotados. Francisco de Assis, considerado homem Santo Pela igreja católica, participou de expedições ao Egito durante esta cruzada.

6ª Cruzada (1228-1229)

Liderada pelo Imperador Frederico II, do Sacro Império, que havia sido excomungado pelo papa Gregório IX, e tendo, por isso, enfrentado várias dificuldades na manutenção de seu exército, a sexta cruzada seria decidida no campo diplomático. Através de Acordos conseguiu a posse de Jerusalém, Belém e Nazaré.

Francisco de Assis

Francisco de Assis

7ª Cruzada (1248 – 1250)

Após 1244, quando a cidade de Jerusalém caia novamente em mãos árabes, o papa Inocêncio IV, no concílio de Lyon (França) convoca nova cruzada. Comandados por Luís IX, rei da França que posteriormente seria canonizado como São Luís, os cruzados desembarcaram no Egito Conquistando Damietta. Após algumas batalhas, colecionaram derrotas e fracassos, obrigando Luís a render-se, sendo preso e posteriormente resgatado.

8ª Cruzada (1270)

O Rei Luís IX, da França, retomou o espírito cruzado e lançou-se novamente ao empreendimento das reconquistas, porém, novamente não viu sucesso em seu intento. Partiu em direção a Túnis, mas não chegaram nem a combater os mouros, pois o inimigo, desta vez, foi a peste que assolava a região matando muitos cristãos, incluindo o próprio Luís IX. Seu filho, Filipe, o audaz, firmou tratado de paz com o Sultão, retornou a Paris onde foi coroado Rei.

Referencias Bibliográficas

DUBY, Georges. A Sociedade Cavaleiresca. São Paulo – 1989: Martins Fontes.

BOVO, Cláudia Regina. Guia de Disciplina.Caderno de Referência de Conteúdo, Guia de Disciplina História Medieval II. Batatais – SP – 2008 – Ação Educacional Claretiana.

Referências on-line

http://www.colegioweb.com.br/historia/as-oito-cruzadas-.html (acesso em 22 de outubro de 2011).

http://redescobrindohistoria.blogspot.com/2011/03/resumo-das-oito-cruzadas.html (acesso em 22 de outubro de 2011)

 

 

 


 

 

 

 

 

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